Dois grandes desafios para o empreendedorismo no Brasil



 

Um dos países mais empreendedores do mundo, o Brasil está também entre os que mais fecham empresas. Os dados mais recentes do IBGE, datados de 2014, mostram que metade das empresas abertas no país fecham as portas antes de completarem quatro anos. Esse cenário se deve a uma série de fatores, dentre os quais podemos citar o cenário econômico, a burocracia, a infraestrutura brasileira, o ambiente de negócios e, principalmente, a baixa qualificação dos empreendedores, que num cenário adverso tem um peso ainda maior.

A gestão financeira é um dos maiores desafios nesse quesito da qualificação. É muito comum confundir as finanças pessoais com as da empresa e isso leva a um descontrole que pode ser fatal.

Entre os principais motivos de falência está a insolvência, situação em que as dívidas da empresa atingem um nível impagável com o fluxo de receitas existente. E a busca por soluções às vezes cria problemas maiores, como fazer um empréstimo sem planejamento e acabar simplesmente criando uma dívida maior.

Abaixo, separamos algumas dicas simples, porém objetivas e essenciais, da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, a FGV EAESP, sobre o assunto:

– Cada um no seu quadrado: mantenha suas finanças pessoais separadas das empresariais. Defina um valor fixo a ser retirado dos lucros da empresa para ser o seu “salário”. A propósito, essa remuneração do empresário tem um nome específico: pro-labore.

– Controle o fluxo de caixa: tenha sempre clareza sobre suas entradas e saídas. Quando as coisas não baterem, acenda o alerta vermelho e procure saber onde está errando para corrigir (se seus custos estão muito altos, se seus preços estão desatualizados, se as vendas caíram etc.).

– Evite dívidas: fazer empréstimos é algo que precisa ser planejado e deve estar sempre alinhado a um processo de crescimento. Pagar juros só faz sentido quando você vai usar aquele dinheiro para gerar novas receitas. Usar dinheiro de banco para cobrir o fluxo de caixa é um tiro no pé.

Outro desafio importante

O aspecto financeiro é um gargalo que o mercado brasileiro precisa enfrentar e resolver. Mas não é o único desafio para o empreendedorismo no Brasil. A participação feminina nos negócios, por exemplo, é outro tema que tem entrado em pauta e ganha cada vez mais destaque.

O tempo em que ser empresário era coisa de homem já se foi. Hoje, 49% dos empreendedores brasileiros já são do sexo feminino. Mas os desafios enfrentados por elas ainda são grandes e a conquista de espaços não se encerra no fato de serem donas de seus próprios negócios.

Uma pesquisa do GEM – Global Entrepreneurship Monitor – aponta que a autoestima e a confiança ainda são aspectos problemáticos no universo feminino quando o assunto é empreender. E foi pensando nisso que a FGV EAESP vem liderando uma série de projetos para beneficiar mulheres empreendedoras, com a Fundação Goldman Sachs e o Banco Itaú. As iniciativas têm como objetivo trabalhar esses temas unindo mulheres com as mesmas dificuldades. Retirando-as do isolamento, esse coletivo fortalece os laços e a troca de experiências, permitindo a superação dos problemas de forma compartilhada.

As participantes têm aulas sobre Estratégia, Marketing, Gestão de Pessoas, Finanças e Operações, além de contarem com suporte especializado em pequenas e médias empresas.

Fonte: Administradores